A volta ao trabalho após a licença-maternidade

Esse retorno às atividades é um dos grandes desafios para as profissionais brasileiras




O período de licença-maternidade garantido pela Constituição no país é de 120 dias. Ao retornar às suas atividades as mães possuem um mês de estabilidade garantida.


As mamães que amamentam, nos primeiros seis meses de vida do bebê, também têm direito, por lei, a duas pausas, de meia hora cada uma para amamentar. Em alguns casos, a empresa pode juntar esses dois períodos e reduzir a jornada da profissional em uma hora.


Durante o período em que está afastada, a colaboradora, agora mãe, continua recebendo normalmente o seu salário. Ao voltar ao trabalho, a profissional deverá passar pelo médico do trabalho que atestará a sua saúde para retomar as atividades.


Só que, um recente estudo da FGV apontou que o retorno da licença-maternidade é um enorme desafio. Isso porque, segundo o relatório, a probabilidade de emprego das mães no mercado de trabalho formal aumenta gradualmente até o momento da licença, e decai depois.


De acordo com os dados, o desemprego nos 12 meses após o início do benefício se mostrou bastante elevado: 35% para mulheres com maior nível de instrução e 51% para as menos escolarizadas.

Após 24 meses, quase metade das mulheres que tiram licença-maternidade estão fora do mercado de trabalho, um padrão que se perpetua inclusive 47 meses após a licença. A maior parte das saídas do mercado de trabalho se dá sem justa causa e por iniciativa do empregador.


Então a volta ao trabalho, em muitos casos, além de despertar a saudade por conta da separação entre a mãe e o bebê, durante o expediente, também vem acompanhada da desconfiança da permanência no cargo e empresa.

O estudo indica ainda, que no Brasil, o período de licença-maternidade não é capaz de reter as mães no mercado de trabalho, mostrando que outras políticas (como expansão de creches e pré-escola) podem ser mais eficazes para atingir tal objetivo. Especialmente para proteger as mulheres com menor nível educacional.


Para mudar esse quadro, as empresas podem elaborar estratégias para lidar com o retorno das funcionárias e melhorar os fatores de permanência desses talentos, desenvolvendo um plano de reintegração, ou quem sabe investindo em mentorias e programas de saúde e bem estar.


Fonte: SETCESP

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