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Marinês Todescatto: ‘Sonhe grande e não tenha vergonha de começar pequeno’


Acervo pessoal

Eu e o transporte temos juntos uma longa história. Meu pai foi motorista de caminhão e viajava estrada a fora.

Infelizmente, minha mãe faleceu quando éramos muito jovens. Tenho seis irmãos e na época, praticamente, todos eram crianças.

Meu pai gastou tudo o que tínhamos com remédios e médicos para tentar salvar minha mãe, mas não teve jeito, ela faleceu e sobraram muitas dívidas deste período.

Assim logo cedo, eu e meus irmãos começamos a ajudá-lo. Cada um fazia um pouquinho. E foi assim que os mais velhos montaram uma transportadora.

Depois, todos nós começamos a trabalhar nela. Era uma empresa que fazia o transporte de vinhos e madeira.

A logística do trabalho exigiu que alguém tivesse que ir para Belém, no Pará. Então eu ainda jovem, sai de Bento Gonçalves/RS e fui.

Esse foi um enorme desafio porque tudo lá era muito difícil e distante.

Com o passar dos anos as minhas ideias começaram a divergir das dos meus irmãos. Até que um dia resolvi arriscar e seguir uma nova rota.

Acervo pessoal

Ao invés de estar junto em um negócio deles, construí minha própria empresa de transporte para prestar serviços para eles.

Aos poucos fui montando minha frota, estruturando a transportadora e partindo para abrir minhas filiais.

Durante todo esse desenrolar, houveram momentos que eu pensei em seguir outro rumo, mas aguentei e segui firme superando muitas barreiras. Cheguei até a fazer um curso de contabilidade, porque sempre gostei muito de números.

O nosso setor é cheio de entraves burocráticos e enfrenta uma concorrência muito desleal de gente que, diferente de mim, não gosta ou não sabe fazer contas.

Tem gente por aí cobrando valores irrisórios pelo frete, que não são capazes de cobrir o serviço prestado.


Acervo pessoal

Aqui a gente analisa, faz contas e busca prestar o melhor atendimento. Eu sei que o sucesso do meu trabalho não é só o meu, mas também é partilhado pelos meus colaboradores. Alguns deles trabalham comigo há anos.

Acredito que a empresa tem esse papel social de empregar, gerar remuneração e renda para as famílias.

Além disso, é preciso pensar em manter o negócio saudável e rentável, por isso também sinto a enorme responsabilidade de estar me atualizando e buscando sempre algo mais.


Acervo pessoal

Como profissional tenho muitos sonhos, aliás, cada dia surge um (risos), mas no momento a prioridade é expandir a empresa para a atender as demandas portuárias.

Soma-se a isso, outras áreas da vida que precisamos suprir: ser mãe, esposa, dona de casa, filha, e etc. Enfim, ser mulher exige força, resiliência e determinação.

Sei que falta equidade em vários setores profissionais, mas posso dizer que no transporte rodoviário essa diferença é imensa.

Muitas vezes, tive que ser maleável para alcançar o meu objetivo, pois por mais razão que eu tivesse, se fosse com ímpeto, eu já sabia que seria ignorada.

Acervo pessoal

Sabe, não é mais tempo de esconder as nossas ideias. Hoje já temos muitas associações e entidades de mulheres que estão lutando em prol de igualdade no setor, e muitas figuras femininas estão se destacando.

Precisamos nos posicionar e estar unidas para defender nossa vez e voz e ter a certeza que, juntas seremos mais fortes.

É necessária muita disposição para que tenhamos no futuro próximo a mudança que queremos ver. Sonhe grande e não tenha vergonha de começar pequeno.


Por Marinês - vice-presidente Regional na FETRANSLOG e vice-presidente no SETCEMA

Siga no Instagram @Marinestodescatto

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