Assédio moral no ambiente de trabalho - precisamos falar sobre isso!

Segundo encontro das mulheres do TRC expôs a gravidade de um tema que merece atenção


‘Você é muito burra!’ ‘Quando vai aprender a fazer alguma coisa direito?’ ‘Não é possível que seja tão ignorante!’ - Essas são algumas frases das quais as vítimas que sofrem assédio moral no ambiente trabalho costumam ouvir, segundo Suzana Tolfo, professora do departamento de Psicologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e coordenadora de Seminários Catarinenses de Prevenção ao Assédio Moral no Trabalho.

A especialista foi a convidada da vez, para conduzir o segundo bate-papo do Vez & Voz.



Mas antes de passar a palavra para Tolfo, Ana Jarrouge, presidente executiva do SETCESP destacou a importância de se abrir o espaço para o assunto: “seria muito melhor não ter que falar sobre isso, mas é preciso para que relações de trabalho, sejam cada vez mais respeitadas”.


De acordo com uma reportagem publicada em junho pelo jornal Valor Econômico, o estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa do Risco Comportamental (IPRC), revelou que metade dos brasileiros toleram o assédio moral e sexual no trabalho.


Em sua apresentação a psicóloga explicou o que é o assédio moral, como ele se caracteriza e o tipo de ajuda que as pessoas que sofrem com esse constrangimento podem buscar.


Durante a apresentação, no encontro realizado via plataforma vídeoconferência, ela contou a aproximadamente 30 mulheres do TRC, como geralmente se inicia o assédio moral. “Começa de forma sutil, com piadas, apelidos, umas brincadeiras de mau gosto e vai se tornando mais forte, com gritos, ameaças e até mesmo com investidas sexuais”.


Tolfo disse que, embora o assédio moral não seja uma forma de violência explícita, ele tem características de comportamento para desestabilizar a vítima com humilhações, constrangimento e desqualificação. E também envolve estratégias para que o colaborador venha pedir o desligamento com a empresa, fazendo com que ele perca sua autonomia ou realizando atividades bem abaixo da sua capacidade.


A especialista também falou que o assédio pode ser confuso “uma hora o chefe elogia e em outra ele desqualifica por completo a pessoa. O pior é que as vezes, a vítima acaba acreditando que aquilo é verdade, por isso é importante que ela busque e encontre ajuda”, alertou.


O choro frequente, a vontade de não querer mais ir trabalhar e o estresse podem ser os indícios de quem está sofrendo assédio. Outros sintomas podem aparecer como dores de cabeça frequentes, pressão alta, dores estomacais, depressão e a síndrome de burnout – que é um distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema, relacionada ao trabalho.


Por essa razão, a especialista adverte para que os colegas de trabalho prestem atenção uns nos outros, e quem tem vivenciado esses traumas procure por redes de apoio e pelo Ministério Público dos Estados. “Suporte social é extremamente importante para essas vítimas. É um conjunto de cada pingo de água no balde que leva ao transbordamento. Importante não deixar chegar ao limite e procurar por ajuda antes”.


O tema ganhou tanta amplitude dentro do bate-papo, que as participantes decidiram por continuar o assunto no próximo encontro, que já tem data marcada. Será em 20 de janeiro e você é a nossa convidada.


Acesse o material de apoio sobre o assunto desenvolvido pelo Núcleo de Estudos em Processos Psicossociais e de Saúde.

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