Igualdade de gênero ainda está a 120 anos de distância, aponta Fórum Econômico Mundial
Relatório de 2026 mostra avanços na redução das desigualdades, mas aponta que o ritmo atual ainda é insuficiente para alcançar a paridade entre homens e mulheres

O relatório, que chega à sua 20ª edição, acompanha 145 economias e analisa a desigualdade de gênero em quatro dimensões: participação econômica e oportunidades, educação, saúde e sobrevivência e empoderamento político.
Em 2026, 69,2% da lacuna global de gênero foi fechada, um avanço de 0,4 ponto percentual em relação ao ano anterior. Apesar da evolução, os dados mostram que o progresso não acontece no mesmo ritmo em todas as áreas. A participação econômica e as oportunidades e, principalmente, o empoderamento político continuam entre os maiores desafios.
E o Brasil?
O Brasil ocupa a 72ª posição no ranking global em 2026, mantendo a colocação registrada no ano anterior. O país fechou 71,6% da diferença de gênero.
Um dos principais destaques positivos está na educação: o Brasil alcançou 100% de paridade educacional, dividindo a primeira posição nesse indicador com outros países.
No mercado de trabalho, também houve uma pequena evolução. A participação feminina passou de 72,6% para 73,1%, enquanto a presença de mulheres em posições de liderança sênior passou de 65% para 66%. Por outro lado, a dimensão econômica ainda apresenta desafios importantes, e o país ocupa a 102ª posição nesse indicador.
Na política, o cenário apresenta uma combinação de avanços históricos e recuo recente. A participação feminina no parlamento passou de 9,4% em 2006 para 20,7% em 2026. Já a paridade na representação ministerial chegou a 40,9%, mais que o triplo do índice registrado há duas décadas. Ainda assim, o indicador de empoderamento político caiu em relação ao ano anterior.
O que esses números mostram?
Os dados reforçam que avançar não significa necessariamente avançar rápido o suficiente.
O próprio Fórum Econômico Mundial destaca que, embora quase todas as economias acompanhadas desde 2006 tenham apresentado algum progresso, os ganhos permanecem frágeis e há sinais de retrocesso em determinadas áreas.
Para o mercado de trabalho, isso significa que ampliar a presença feminina precisa ir além da contratação. Acesso a oportunidades, desenvolvimento profissional, participação em posições de decisão e condições para que mulheres construam suas trajetórias também fazem parte desse processo.
O dado de 120 anos funciona, portanto, como um alerta: a igualdade não acontece apenas com a passagem do tempo. Ela depende das escolhas e das ações realizadas no presente.
Fonte: Fórum Econômico Mundial




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