Violência doméstica: como empresas podem apoiar funcionárias e suas famílias
Exploramos o programa Florescer, da Rede Santa Catarina, que treina outros colaboradores para garantir apoio

7 em cada 10 mulheres que sofreram violência doméstica tiveram seu dia a dia afetado. 4 foram impactadas no trabalho. A pesquisa da Nexus mostra como a violência contra a mulher não é apenas uma questão doméstica, mas profissional também.
Para entender como as empresas podem contribuir com o combate à violência e a saúde de colaboradoras, exploramos a estratégia da Rede Santa Catarina, que é baseada no Programa Florescer.
Após dois anos, o Programa realizou mais de 180 atendimentos, incluindo colaboradoras como Heloisa Montez (nome fictício), que buscou a iniciativa depois de se deparar com situação que afetou a filha.
“Ter recebido orientação e acolhimento no meu ambiente de trabalho fez toda a diferença. Eu precisava entender como poderia agir. É uma situação difícil, para a qual nunca estamos preparadas. Só com essa direção consegui me sentir mais segura para tomar providências e seguir em frente”, relata a colaboradora.
O programa de combate à violência contra a mulher
A iniciativa começou em 2024, com objetivo de atender colaboradoras em situações de violência.
A rede de apoio conta com 82 colaboradores, chamados de Anjos Sociais, que foram capacitados para realizar a primeira escuta, acolher sem julgamentos e orientar sobre os canais adequados de apoio.
A partir desse acolhimento, o atendimento pode incluir acompanhamento psicológico, orientação jurídica e encaminhamento a órgãos especializados, conforme cada caso.
A chave da atuação é o envolvimento de lideranças. Ao todo, 138 líderes já foram capacitados para compreender o tema e saber como acolher e direcionar situações que cheguem até eles.
Apoio estendido
No evento que marcou o segundo aniversário do programa, Alline Cezarani, diretora-presidente da instituição, anunciou que o Florescer passaria a atender também familiares de colaboradoras, assegurando suporte nas situações em que a violência atinge pessoas próximas e afeta tantas outras vidas.
“A ampliação para familiares responde a uma situação que, infelizmente, não é incomum. A da colaboradora que procura suporte não pela violência que sofreu diretamente, mas que envolveu alguém muito próximo. O fato é que ela também precisa de ajuda, ela também é impactada. Vamos sim dar esse apoio”, afirma.
Caminhos possíveis para empresas
A mobilização das empresas e instituições é parte da solução, mas não substitui a atuação essencial de autoridades policiais e do judiciário, além de serviços públicos especializados.
O papel institucional pode estar em uma etapa anterior: saber reconhecer uma situação de vulnerabilidade, ter disponibilidade para ouvir, acolher o relato e orientar a colaboradora sobre onde buscar ajuda.
A iniciativa segue uma lógica defendida por especialistas: a empresa não deve assumir o papel do Estado, mas precisa estar preparada para apoiar quem precisa.
“É criar caminhos possíveis para responder, com ética e coragem, a uma das principais e mais urgentes demandas da sociedade contemporânea: o enfrentamento à violência doméstica e de gênero”, conclui a diretora-presidente da Rede Santa Catarina.
Fonte: Exame




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