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Brasil segue entre os últimos em presença feminina nos conselhos de administração

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Relatório mostra que a participação de mulheres em cargos estratégicos permanece reduzida no País, mas lideranças defendem mudanças culturais

O Brasil permanece entre os países com menor participação feminina nos conselhos de administração das empresas. De acordo com o relatório Global Trends in Women’s Corporate Leadership 2026, da ISS-Corporate, o País ocupa a penúltima colocação em um ranking que reúne 28 mercados, ficando à frente apenas da Coreia do Sul. A média brasileira é de 1,4 mulher por conselho, indicador que evidencia a baixa representatividade feminina nos principais espaços de decisão corporativa.

O cenário contrasta com a tendência observada em âmbito global. Dados da Governance QualityScore mostram que a maioria das empresas já conta com duas ou mais mulheres em seus conselhos, e que elas ocupam quase 30% das cadeiras nesses órgãos. Ainda assim, a presença feminina continua limitada em diversos países, especialmente em mercados asiáticos como Taiwan, Índia, China e Coreia do Sul, onde as mulheres representam menos de 20% dos integrantes dos conselhos de administração.

Na avaliação de Liu Berman, presidente do Instituto Reinventando Futuros e cofundadora do Instituto Elas na Economia Circular, a baixa participação feminina nos cargos estratégicos compromete não apenas a diversidade, mas também a competitividade das empresas brasileiras.

Os dados mostram o atraso do mercado brasileiro e o quanto as empresas perdem em competitividade internacional ao ignorar esse potencial. “A liderança feminina traz uma dinâmica essencial para a eficiência dos negócios e para a abertura de novas frentes financeiras, em contato com mercados consolidados como Espanha, França e Itália, que apresentam os maiores indicadores de cargos de diretoria ocupados por mulheres, ainda segundo a QualityScore”, disse Liu. “Isso significa que movimentar a economia exige capacidade de articulação e descentralização para transformar o ecossistema corporativo em um ambiente mais rentável, competitivo, e ao mesmo tempo, social e sustentável”, acrescentou.

Com atuação voltada à economia circular, cultura e sustentabilidade, Liu lidera iniciativas que buscam ampliar a presença feminina em posições de liderança. À frente do Instituto Reinventando Futuros, ela coordena uma estrutura executiva formada exclusivamente por mulheres e participa de projetos que, segundo a organização, já beneficiaram mais de 200 empreendedoras em diferentes regiões do País.

Para a empresária, o principal desafio continua sendo romper as barreiras que dificultam o acesso das mulheres aos espaços de decisão.

“Há uma geração de profissionais qualificadas, empreendedoras e líderes que ainda encontram barreiras para chegar aos centros de decisão. A transformação desse cenário depende da mudança cultural, mas também de iniciativas – como dizemos, ‘solidárias, populares e criativas’. Pensamos muito no corporativo e esquecemos que há múltiplas frentes onde podemos atuar em conjunto. É pensar que a cultura, o social e os projetos ambientais também são fonte de renda sustentável, geração de oportunidades e desenvolvimento econômico. As mulheres ocupam esses espaços com maestria, fortalecendo redes, movimentando territórios e ampliando o impacto das transformações que queremos ver acontecer”, destaca.

Ao longo de sua trajetória, Liu participou da criação de iniciativas como o Maré de Mudanças, o Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC) e o Festival Nacional de Economia Popular e Solidária, que promovem conexões entre empreendedores, organizações da sociedade civil, governos e fundações voltadas ao desenvolvimento sustentável. Segundo ela, esses projetos já reuniram mais de 600 autoridades e especialistas internacionais em debates sobre inovação socioambiental.

A executiva afirma que os avanços obtidos demonstram o impacto da participação feminina na geração de oportunidades econômicas e no fortalecimento das comunidades.

“É interessante, hoje, olhar para trás e ver o quanto essa caminhada escalou e nos colocou como uma das frentes da liderança feminina e da importância dela em todo o País. Essa rede solidária puxa constantemente uma e mais uma, demonstrando a força e o impacto social de cada uma de nós. Não é à toa que os mercados emergentes ainda sofrem com uma percepção atrasada da importância feminina em diferentes frentes, enquanto os consolidados possuem mais que o triplo dos números locais”, afirmou.

Para Liu, ampliar a presença de mulheres em posições estratégicas deve ser encarado como um fator de desenvolvimento econômico, além de uma questão de equidade.

“Os resultados que alcançamos mostram que investir na liderança feminina não é apenas uma questão de equidade, mas de desenvolvimento econômico. Estamos ocupando espaços de decisão, ampliando perspectivas, fortalecendo comunidades e criando soluções inovadoras para desafios do presente e do futuro”, acrescentou.

 Fonte: Brazil Economy

 
 
 

O movimento Vez & Voz é uma iniciativa do SETCESP - Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região.

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