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Igualdade de gênero ainda está muito distante, aponta relatório do Fórum Econômico Mundial

Contratação de mulheres para cargos de liderança começou a se deteriorar, passando de 37,5% para 36,9% em 2023, e continuou caindo no início de 2024 para 36,4%, abaixo dos níveis de 2021


O mundo levará mais de 134 anos, o equivalente a cinco gerações, para alcançar a igualdade total de gênero, à medida que o ritmo de progresso na lacuna de desigualdade permanece lento, diminuindo 0,1 pontos percentuais desde o ano passado, aponta o relatório anual de desigualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial divulgado nesta terça-feira (11). Em um ano de pesada agenda eleitoral, com mais de 60 eleições nacionais pelo mundo, o documento aponta que uma melhoria na participação política das mulheres tem o maior impacto na questão, pois é onde a lacuna da desigualdade é maior, com cargos de alto nível permanecendo amplamente inacessíveis para as mulheres globalmente.

Assim como na política, as mulheres também são raras em cargos de alto nível no mercado de trabalho. Utilizando dados do LinkedIn, o documento mostra que a contratação de mulheres para cargos de liderança começou a se deteriorar, passando de 37,5% para 36,9% em 2023, e continuou caindo no início de 2024 para 36,4%, abaixo dos níveis de 2021.

“O progresso lento que havia sido feito na contratação de mulheres para cargos de liderança agora está começando a se erodir desde um pico visto em 2022. As mulheres foram desproporcionalmente afetadas pela desaceleração da economia global, reforçando os problemas sistêmicos que impedem as mulheres no local de trabalho,” disse Sue Duke, vice-presidente de Política Pública Global e Gráfico Econômico do LinkedIn.

“Estamos alcançando um momento decisivo à medida que a IA [inteligência artificial] generativa começa a impactar o mercado de trabalho com as mudanças das habilidades mais valorizadas pelas empresas. Os empregadores devem garantir que aplicam uma perspectiva de gênero à sua abordagem na capacitação para estabelecer o local de trabalho do futuro de forma justa e equitativa”, completa.

As diferenças de gênero estão retardando o progresso econômico para as mulheres. O Banco Mundial estima que fechar a lacuna de gênero no emprego e no empreendedorismo poderia aumentar o PIB global em mais de 20%.

Segundo o documento, a ligeira melhora da lacuna global de gênero em 2024 é impulsionado por mudanças positivas no subíndice de participação e oportunidade econômica, enquanto o empoderamento político e a saúde e sobrevivência avançaram ligeiramente, enquanto a realização educacional viu uma pequena diminuição.

Por outro lado, o relatório também destaca alguns progressos notáveis, como a diminuição de 68,5% da lacuna de gênero, assim como a recuperação da igualdade nas taxas de participação na força de trabalho para 65,7%, em relação a uma mínima de 62,3% após a pandemia.

“Apesar de alguns pontos positivos, os ganhos lentos e incrementais destacados no relatório deste ano sublinham a necessidade urgente de um compromisso global renovado para alcançar a paridade de gênero, particularmente nas esferas econômica e política”, disse Saadia Zahidi, diretora geral do Fórum Econômico Mundial. “Não podemos esperar até 2158 pela paridade. O momento para ação decisiva é agora."

A representação das mulheres na engenharia de IA também dobrou desde 2016, indicando algum progresso nesta área. No entanto, ainda há uma sub-representação significativa nos campos de STEM, representando cerca de 29% dos cargos da área.

“Nossa pesquisa indica que, embora as matrículas totais tenham aumentado, as disparidades de gênero em habilidades de IA e digitais se ampliaram. Intervenções direcionadas são essenciais para superar essa lacuna e garantir o acesso equitativo ao aprendizado de tecnologias emergentes,” diz Jeff Maggioncalda, CEO da Coursera.

No ranking global que destaque a igualdade de gênero pelas regiões, a América Latina e o Caribe registaram progressos significativos desde 2006, com uma melhora geral de 8,3 pontos de paridade de gênero, a maior melhora de todas as regiões, alcançando uma pontuação geral de 74,2%, bem como sua maior pontuação de paridade econômica até hoje, de 65,7%.

Já a Europa continua liderando o ranking, com uma pontuação de 75%, além de possuir os países com os melhores índices de igualdade — a Islândia, que permanece como o mais igualitário, seguida pela Finlândia, Noruega, Suécia, Alemanha e Irlanda. A pontuação geral de paridade da Europa melhorou 6,2 pontos desde 2006.

Enquanto isso, o último lugar na lista é ocupado pelo Oriente Médio e o Norte da África com uma pontuação de 61,7%. O relatório destaca que a participação na força de trabalho permanece baixa na região, em média, ainda que avanços em direção à paridade tenham sido feitos pela Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos nos últimos anos.

Nesse contexto, o Fórum Econômico Mundial ressalta a necessidade de governos e empresas realocarem recursos e mudarem mentalidades para colocar a igualdade de gênero como essencial para o crescimento sustentável.

“Apenas através da colaboração e de intervenções direcionadas pode-se alcançar um mundo 50/50. O Fórum Econômico Mundial está mobilizando uma coalizão para ação em seu Sprint de Paridade de Gênero Global até 2030 e convida parceiros dos setores público e privado a se unirem para redefinir a tendência em direção à paridade”, finaliza o documento.


Fonte: Valor Econômico

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