Mulheres Ganham Espaço entre Novos CEOs em 2026
Participação feminina no topo de empresas de capital aberto quase dobra globalmente, segundo estudo da Russell Reynolds

A presença de mulheres no topo de empresas de capital aberto globalmente deu um salto neste ano. No primeiro semestre de 2026, executivas mulheres ocuparam 16% das novas posições de CEO no mundo, o maior índice registrado pela consultoria global de liderança Russell Reynolds Associates, que acompanha o tema há nove anos.
Os números traduzem uma aceleração recente. A proporção de lideranças femininas entre os novos CEOs globais quase dobrou em relação aos 8,7% registrados no mesmo período do ano passado.
Ao todo, 21 mulheres assumiram a posição mais alta entre 130 nomeações. “O salto é resultado de decisões tomadas vários anos antes, quando essas profissionais receberam oportunidades de desenvolvimento, exposição e experiências relevantes de negócio”, afirma Flávia Leão, sócia-diretora e country manager da Russell Reynolds no Brasil.
O cenário é corroborado por dados do Global Gender Gap Report, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial neste mês: hoje, mulheres ocupam 19,1% dos cargos de CEO no mundo.
Europa lidera, EUA freia
Apesar do recorde global, o raio-x geográfico elaborado pela consultoria indica um avanço desigual. A alta não foi impulsionada pelos tradicionais mercados americano e britânico, mas por economias com agendas de diversidade mais consolidadas, como as da Europa continental e da Austrália.
Os índices acionários Euronext 100 e o australiano ASX 200 concentram quase metade de todas as mulheres nomeadas globalmente. Neles, as executivas representaram 44% e 43% das novas escolhas, respectivamente.
No índice americano S&P 500, as mulheres representaram apenas 9% das nomeações (três escolhas). No FTSE 100, principal índice da Bolsa de Londres, a proporção foi de uma mulher a cada seis executivos nomeados (ou 16,6%), uma queda em relação aos 30% registrados em 2025.
O gargalo da sucessão
Apesar dos avanços neste ano, a formação da próxima geração de líderes enfrenta um período desafiador. Segundo o Fórum Econômico Mundial, , a participação feminina na alta gestão está estagnada na casa dos 30% desde 2024, considerando 62 economias analisadas. Entre as novas contratações para esses cargos, a presença de mulheres caiu de 34,8% em 2022 para 32,3% no início de 2026.
Um dos principais obstáculos está nas áreas que tradicionalmente funcionam como caminho para o topo. As mulheres representam cerca de 25% da liderança m finanças (CFO) e operações (COO), duas das principais trilhas para a posição de CEO.
Em contrapartida, elas são maioria em recursos humanos, ocupando cerca de dois terços das posições, mas seguem sub-representadas em áreas estratégicas de tecnologia: representam menos de 20% dos CIOs e menos de 10% dos CTOs.
Por isso, preparar mulheres para a alta liderança exige olhar para suas trajetórias muito antes do momento de sucessão. “Se uma empresa começa começa a discutir diversidade apenas quando precisa escolher seu próximo CEO, provavelmente já começou tarde”, afirma Leão. “É preciso identificar potenciais sucessoras alguns níveis abaixo, entender quais experiências ainda precisam adquirir e criar oportunidades concretas para que possam construí-las.”
O cenário das CEOs no Brasil
Embora o estudo global não traga um recorte específico sobre o Brasil, Leão avalia que o país ainda tem um caminho a a percorrer para acompanhar os avanços observados no cenário internacional. “A presença feminina avançou em diferentes níveis das organizações, mas, à medida que nos aproximamos das posições executivas mais seniores, essa representatividade diminui significativamente.”
Segundo um levantamento do Evermonte Institute, braço de pesquisa da consultoria especializada em recrutamento de executivos, atualmente apenas 5,2% dos postos de CEO no Brasil são ocupados por mulheres.
Para ampliar a presença feminina na alta liderança no Brasil, a executiva defende que as empresas ofereçam às mulheres acesso a experiências estratégicas de negócio, responsabilidade pelo P&L (lucros e perdas), exposição ao conselho e oportunidades de assumir posições seniores. “Se as empresas ampliarem o universo de mulheres preparadas e consideradas para essas posições, a maior presença feminina que começamos a observar em outros níveis tenderá a se converter, no futuro, em mais mulheres na cadeira de CEO.”
Fonte: Forbes




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