Mulheres ocupam apenas 5,2% dos cargos de CEO no Brasil, aponta levantamento
- 4 de ago.
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Pesquisa mostra que executivas precisam investir mais em qualificação e enfrentar mais mudanças na carreira para alcançar a presidência das empresas.

A presença feminina na presidência das empresas brasileiras ainda é pequena. Um levantamento realizado pelo Evermonte Institute, braço de pesquisa da consultoria especializada em recrutamento de executivos Evermonte, revela que apenas 5,2% dos cargos de CEO no Brasil são ocupados por mulheres. O percentual está próximo da média global, onde elas representam 6% dos CEOs, segundo o relatório Women in the Boardroom, da Deloitte.
O estudo analisou o histórico profissional de 2.153 empresas brasileiras, cruzando informações públicas do LinkedIn com entrevistas realizadas com executivas. Entre todas as organizações avaliadas, apenas 112 são lideradas por mulheres.
Uma trajetória mais exigente
Embora homens e mulheres levem, em média, 18 anos e passem por cerca de dez cargos diferentes até chegar à presidência de uma empresa, a pesquisa mostra que o caminho percorrido pelas mulheres costuma exigir mais preparação e mobilidade profissional.
As executivas que alcançam o cargo de CEO possuem, em média, quase três MBAs ou pós-graduações, enquanto os homens apresentam pouco mais de uma especialização equivalente. Além disso, elas passam, em média, por cinco empresas ao longo da carreira, uma a mais do que os executivos homens.
Segundo Priscila Schapke, sócia da Evermonte, essa trajetória mais dinâmica reflete as barreiras enfrentadas pelas mulheres ao longo da carreira, especialmente em relação à visibilidade, ao reconhecimento e ao acesso às oportunidades de crescimento.
Maior desafio está na transição para cargos de diretoria
O levantamento aponta que a maior dificuldade para a ascensão feminina acontece na transição entre os cargos de gerência e diretoria, considerada a etapa com maior perda de retenção de mulheres na carreira executiva.
De acordo com a pesquisa, esse período costuma coincidir com fases importantes da vida pessoal, como a maternidade e o aumento das responsabilidades familiares, fatores que podem impactar o ritmo de crescimento profissional de muitas mulheres.
Para especialistas ouvidas pelo estudo, ampliar a presença feminina nos cargos de diretoria é fundamental para aumentar, no futuro, o número de mulheres que chegam à presidência das empresas.
Onde estão as mulheres CEOs
A pesquisa também identificou que a maior concentração de mulheres na presidência das empresas está na Região Sudeste, que reúne 67,5% das CEOs do país. O estado de São Paulo concentra 51,4% dessas lideranças, seguido pelo Rio de Janeiro, com 10,3%.
Entre os setores econômicos, bens de consumo concentra a maior participação de mulheres CEOs, com 17,1%, seguido pelos segmentos de saúde (9%) e serviços (8,1%). Já setores ligados à indústria pesada, como papel e celulose, registram participação feminina inferior a 1% nos cargos de liderança máxima.
Diversidade também impulsiona resultados
Além de evidenciar os desafios enfrentados pelas mulheres para alcançar a presidência das empresas, a reportagem destaca pesquisas que associam a diversidade de gênero ao desempenho dos negócios.
Segundo estudo da consultoria McKinsey citado pela Forbes, empresas com maior diversidade de gênero podem apresentar desempenho financeiro até 25% superior ao de seus concorrentes. O levantamento da Evermonte também aponta características frequentemente associadas às mulheres na liderança, como visão sistêmica, desenvolvimento de equipes, capacidade de conduzir múltiplas frentes de trabalho e atenção aos impactos humanos durante processos de transformação organizacional.
Fonte: Forbes Mulher




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