Germaine Tillwitz: “Não penso na doença, e sim na vida que estou vivendo muito além dela”

Para quem não me conhece, aproveito essa oportunidade aqui para me apresentar: muito prazer, eu me chamo Germaine Tillwitz, tenho 38 anos. Sou mãe da Laura de 10 anos e da Sara de 8. Casada com Gustavo, que é meu namorado desde os meus 15 anos. Sou advogada de formação, e cozinheira por paixão.

Acervo pessoal

Quando estava com 32 anos recebi o diagnóstico de Câncer de Mama. Na época, eu estava vivendo a maternidade de duas bebês. Tive as duas em um intervalo muito próximo. Por isso, engatei uma amamentação na outra.

Descobri o câncer após sentir um nódulo na mama esquerda. Eu tinha exames muito recentes. Porém, como estava desmamando minha filha mais nova, pode ter acontecido de passar despercebido um pequeno nódulo, ou mesmo, que o câncer tenha tido uma evolução muito rápida.

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Quando recebi a notícia só o que passava na minha cabeça é que seria algo passageiro, uma história pra contar. Não pensei que iria morrer, não pensei que seria difícil. Só queria fazer o tratamento.

Antes de receber o diagnóstico estava cursando um mestrado em Políticas Públicas. Levava uma vida bastante saudável e muito feliz.

Quem ama viver entende que a vida é feita de dias ensolarados, nublados e chuvosos. Uma tempestade pode ser enfrentada com a leveza de uma garoa.

Não posso controlar o que acontece com a doença, mas posso escolher o jeito que vou reagir a ela. Foi assim que eu sempre encarei, entendendo que o que a vida me manda é para ser vivido.

Um abraço das minhas filhas, o amor da família e dos amigos e ter meu marido por perto sempre foram os motivos que fazem qualquer tempestade da vida virar um chuvisco.

Amigos e a família, me ajudam a viver com mais leveza, me fazendo perceber que eu sou saudável, só tenho câncer mesmo! (risos)

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É muito importante a sensação de pertencer. Sentir colo e abrigo. Ser cuidada de uma forma única e integral.

Receber o olho no olho da equipe médica que cuida de mim faz toda a diferença.

E eles veem a Germaine, e não só o prontuário, e nem apenas o protocolo de quimioterapia ou mesmo o CID da doença. Mesmo porque se não sabem quem eu sou, como vão cuidar de mim? Sim, precisam saber o que é importante para mim e para minha vida.

E assim são os cuidados paliativos, olham e cuidam de todas as dores do paciente, sejam física, emocional, social ou espiritual.

Existe uma grande diferença entre fazer um tratamento paliativo e receber cuidado paliativo. No Brasil, infelizmente, estamos muito distantes de uma realidade que oferece esses cuidados para os pacientes acometidos com doenças graves, que ameaçam a continuidade da vida.


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Porém, já foi comprovado que quando os pacientes recebem cuidados paliativos, e não somente o tratamento, eles vivem mais e melhor!


Sabe, conviver com o câncer de mama metastático limita minha vida em alguns pontos, mas eu só penso no que eu consigo fazer por estar vivendo. Portanto, não penso na doença, e sim na vida que estou vivendo muito além dela.

Tenho muitos sonhos. A vida é feita para sonhar, para ressignificar, para traçar novas rotas. O que eu mais desejo é poder aproveitar minhas filhas, o máximo possível.

E, sim, existe muita vida para quem está fazendo um tratamento tão difícil como esse, posso garantir.

Lembrem-se: prevenção é cuidar da saúde de um modo geral. Busquem sempre informações de qualidade. Tenham sempre os exames em dia, pratiquem atividades físicas e mantenham uma boa alimentação.

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Só que rir até a barriga doer, abraçar bem apertado, dizer eu te amo, fazer coisas novas, sempre fazem qualquer caminhada ficar mais leve! Façam isso diariamente, abusem das doses de bom humor.

Isso tudo não previne que qualquer doença apareça, mas garanto que com a chegada de um diagnóstico ruim, estar com o corpo e com a mente saudáveis, fará o tratamento ser melhor.

Sejam as protagonistas dentro ou fora do consultório.



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