O protagonismo das mulheres no TRC

08 de março é o Dia Internacional da Mulher – apesar da data ter sido oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1975, ela é comemorada desde o início do século XX, seja em forma de protestos ou de homenagens, com o objetivo de reivindicar direitos e igualdade de gênero.

Toda esta luta, tem se revelado bastante promissora ao longo das décadas, mas também árdua, principalmente, dentro do mercado de trabalho.

Trazendo um recorte do transporte rodoviário de cargas brasileiro, o setor conta com cerca de 2,2 milhões de profissionais e é responsável por movimentar cerca de 480 bilhões de reais, equivalente a 6,4% do PIB nacional. Só que dentro das empresas de transporte a imensa maioria dos colaboradores são homens, cerca de 76% contra apenas 24% de mulheres, segundo uma pesquisa de 2021, do IPTC (Instituto Paulista do Transporte de Carga).

Se analisarmos, é possível observar que existe ainda um espaço enorme para ampliação da participação feminina dentro do setor. Mesmo porque, de acordo com os dados do mesmo instituto, há uma tendência de falta de motoristas profissionais no país.

Desde 2015 o número de motoristas habilitados para dirigir caminhões (categoria C e complementares) caiu -5,9% ao ano no Brasil, o que representa mais de 1 milhão de motoristas. Apesar disso, outro dado do relatório de 2021, revela que nas empresas de transportes, somente 1% das mulheres são motoristas profissionais.

“O crescimento do número de mulheres nesse mercado, está ligado tanto a questão relacionada a equidade e, consequentemente, uma igualdade, quanto há um fator importante para favorecer o desenvolvimento e os valores de uma empresa, criando assim, ainda mais vantagem competitiva e, uma forma de alavancar o crescimento dos negócios”, afirma Adriano Depentor, presidente do SETCESP.

Outro estudo, dessa vez da consultoria americana Mckinsey, corrobora para a opinião de Depentor, mostrando que a diversidade de gênero está correlacionada tanto com a lucratividade como com o posicionamento da marca.

“As empresas com mais diversidade de gênero têm 27% mais chances de superar as outras em relação à criação de valor a longo prazo”, afirma.

O relatório da Mckinsey menciona ainda, que instituições que superam o desempenho financeiro médio são as que têm mais mulheres em funções de diretoria. Ou seja, não somente a ampliação da participação, mas também o protagonismo feminino, com mulheres em cargos de liderança, pode e deve ser alcançado.

Para Ana Jarrouge, presidente executiva do SETCESP, mesmo ainda sendo minoria no setor, as mulheres têm ocupado cada vez mais os seus espaços dentro do TRC, e por isso, vislumbra ares de mudanças a curto prazo.

“A meu ver, estamos conquistando mais espaço dentro do transporte rodoviário de cargas, desde as tradicionais vagas administrativas, até as vagas operacionais e executivas. As empresas estão mais abertas e percebendo que existem grandes talentos femininos, que podem ocupar as mais diversas funções no nosso setor”.

Ela chama atenção para um movimento criado dentro do TRC, que é o Vez & Voz.


“Vamos continuar a estimular, incentivar e estruturar o movimento em apoio a todas as mulheres que já trabalham no transporte. E para aquelas que desejam uma oportunidade, todas serão ouvidas e devidamente valorizadas”, garante otimista.

Hoje, além de ser uma data para comemorar a presença das mulheres no setor, é também um dia para pensar o quanto as mulheres ainda podem avançar neste quesito.


Fonte: SETCESP

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