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Fernanda Machado: “Tenha coragem porque capacidade a gente tem”

Não é sobre a Fernanda, mas é a história de uma mulher casada, que é mãe de dois filhos e que se tornou a head de uma importante transportadora do País.

Na maioria das vezes, a leitura masculina na logística é de que se a mulher tiver filho, ela interromperá um ciclo. Eu estou aqui para dizer que isso não é verdade.

Eu vi o anúncio de vaga de emprego em uma empresa que ficava a menos de 15 minutos da minha casa. Confesso, o que mais me interessou foi a proximidade.

Quando eu cheguei para fazer a entrevista era um Centro de Distribuição da Ambev. Havia sete homens disputando aquela vaga, e só eu de mulher.

No processo seletivo eu entendi que ali, eles precisavam mesmo de um líder, porque já tinham muita gente com conhecimento técnico, e eu mostrei toda a minha capacidade. Fui aprovada, e promovida para a Conlog. De lá para cá, eu só cresci.

Nessa minha primeira entrevista lembro que o gerente na época, olhou meu currículo, falou que era muito bom, e que o meu salário na função daria para compor a renda de casa. Meu salário não é para compor renda, ele é a -mi-nha ren-da.

A mulher pode e deve ter um provento alto. Noto o quanto as pessoas precisam entender o valor da mulher.

Nestes sete anos que eu estou nesse segmento logístico, eu tive um crescimento de coordenadora de operações para head da Conlog. Foi uma jornada de construir valor, tanto para a minha companhia quanto para a Ambev, nosso maior cliente.

Eu engravidei com três meses de empresa. Sabe, me senti na obrigação de pedir demissão. Mas ouvi do meu gestor: você não precisa fazer isso.

E ele tinha razão, porque eu trabalhei até meu nono mês de gravidez, e minhas entregas foram feitas com excelência.

Tão eficiente, que me ligaram da empresa na licença e perguntaram, Fernanda tem uma vaga de gerente no maior CD do mundo, você quer assumir essa responsabilidade quando voltar? Eu respondi: quero.

Então, eu com 35 anos e um bebê de cinco meses, liderei o maior Centro de Distribuição da Ambev que é o de Campo Grande, no Rio de Janeiro.

Quando eu cheguei não tinha nenhuma mulher na operação de entregas. Estávamos com grande dificuldade para fazer as contratações, e eu sugeri que colocássemos mulheres motoristas.

Me falaram que tinha uma Norma Regulamentadora (NR), que proibia a mulher de carregar peso e, por conta disso, não dava. Chamei o jurídico e a área de segurança, estudamos a NR e vimos que se a mulher descarregasse um pack por vez, isso não feriria a NR.

Hoje, a gente tem 12 mulheres na rota operando. Mulheres que ganham a mesma remuneração de um homem.

A gente fez um grande comitê para pensar nos uniformes dessas mulheres, em roupas que não tirassem sua feminilidade e nem as deixassem expostas. Reformamos também os banheiros femininos. Foi épico.

Eu ouvi de uma profissional que ela só tinha conseguido até ali, ser motorista de manobra, agora na operação, ela se sentia muito mais realizada. Foi extremamente gratificante.

E lá, além de operarmos bem, a gente cresceu. Eu tive 0% de turnover com o meu time. E o turnover é uma dor no ambiente logístico. E o meu segundo case de sucesso, é que fomos reconhecidos na Super Log da Ambev como o melhor CD das Américas a nível de serviço.

Na pandemia, foi uma verdadeira prova de fogo, tínhamos todo escopo de higienização, protocolos para seguir, aplicação de Medidas Provisórias trabalhistas instauradas pelo Governo, e com tudo isso, operamos mais. E sabe o melhor: ninguém do nosso time adoeceu. Não tivemos nenhum caso crítico.

Após essa jornada de pandemia a Conlog me convidou para ser a head de operações. Hoje eu sou a responsável por toda a operação logística da empresa.

Claro, que foi o trabalho de um time, não sou nada sozinha. Mas o posicionamento enquanto mulher, e como conseguimos performar foi maravilhoso.

Nessa fase, o mais difícil foi ter que fazer muitas viagens. Mas isso foi uma escolha minha. Porque queria ter mais proximidade com meus liderados.

E foi assim, que eu captei dos funcionários algumas dores. Conheci todo mundo que estava ligado a mim por nome, não por uma questão emotiva, e sim, de seriedade.

Escolhi e defini muito bem o meu time e depois focamos nos treinamentos, mostrando o que era preciso fazer.

Eu com dois filhos pequenos, cuidando de todas as operações a nível Brasil. Tendo que transformar um cenário duro, resgatar pessoas e processos e gerar resultado.

Foi um período de estar muito convicta de todos os meus sonhos. E fez toda a diferença eu colocar meu time para sonhar alto junto comigo.

Quando vejo eles evoluindo em novas funções e o meu cliente satisfeito com o nosso nível de serviço, enquanto transportadora, para mim é mais confortável do que qualquer promoção.

Meu pai foi motorista por profissão. Caminhoneiro a vida toda. Foi deste segmento que veio o meu sustento.

Por isso, ao encontrar pelas ruas um dos mil motoristas da Conlog, eu vejo um pouco do meu pai em cada um deles. Este trabalho, gera muito valor para muitas famílias.

Meus desafios são faseados. Ano passado era o de me impor como head e não é uma imposição autocrática, e sim como uma líder. Esse eu venci.

Agora, eu quero posicionar a Conlog entre as top dez transportadoras do Brasil. Temos todo o potencial para isso. E bem lá na frente, sonho profissional é ser acionista da empresa.

Por que, eu acredito que, o que as mulheres precisam no transporte é similar ao que precisam na política: que haja mulheres ocupando as cadeiras de quem toma as decisões.

Teve uma veze em que eu coloquei no cargo de supervisão uma mulher, que estava prestes a se casar, e aí me perguntaram: e se ela quiser ter filhos. Eu respondi, se ela quiser filhos está tudo bem. Ela terá, vai tirar a licença dela e voltará maravilhosa, muito mais forte.

Se fosse uma outra pessoa sentada tomando a decisão qual seria a resposta dela? Essa pessoa não seria supervisora? Olha que o currículo dela é excelente.

E assim a gente vai. Atropelando esses preconceitos, com muita força e resultado.

Meu mantra quando eu acordo é: tenha coragem porque capacidade a gente tem.

Coragem para avançar, para dizer não e se posicionar. Tudo para mim parte do princípio da coragem.


Fernanda Machado, head de operações logísticas da Conlog S. A.


Siga a Fernanda no Instagram e LinkedIn: @oficialnandamachado

https://www.linkedin.com/in/fernanda-machado-oficial/


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