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Gabrielle Moraes: “5, 10, 20 vozes ecoam mais alto para que sejam ouvidas”

Atualizado: 6 de dez. de 2023


Acervo pessoal

Todo mundo tem uma história triste, não é mesmo? Eu com seis anos de idade descobri uma doença metabólica e fui uma adolescente atípica.

Fui a pessoa mais jovem do Rio Grande do Sul a realizar o processo de cirurgia bariátrica no método Bypass Fobi-Capella, que hoje já não se realiza por ser muito invasivo, e eu tinha apenas 15 anos. Passei minha infância e a pré-adolescência de forma muito isolada por conta da minha condição.

Esse isolamento, me trouxe um desejo imenso de ler, e assim, fui desenvolvendo certas habilidades sozinha, como escrever narrativas literárias, compor músicas e ensaios inteiros, e até a língua inglesa.

Com 16 anos entrei na faculdade, fiz graduação em História, e fui convidada para trabalhar na rádio da universidade, porque eu tinha um conhecimento muito grande de música, especialmente no Rock and Roll. Trabalhei como radialista, depois produtora musical, repórter, tudo na linha de comunicação, ao mesmo tempo, conciliando também com a função de professora, a qual sou habilitada para 6 especialidades diferentes.

Mais tarde, montei a ‘Gabe Moraes Cerimonial e Eventos’, onde sou também celebrante de casamentos e cerimonialista, atuando paralelamente à Cavalinho.

Estou na Transportes Cavalinho há um ano. E por aqui, tudo começou para mim de uma maneira muito inesperada. Por trabalhar com eventos, fui convidada a organizar a festa de 40 anos da transportadora.

Sentei com a diretoria para conhecer a história da empresa e depois de ouvi-los, ajudei a montar um espetáculo que os deixou encantados. Por outro lado, eu também fiquei deslumbrada imaginando o quanto gostaria de fazer parte daquele time.

Até que recebi uma mensagem da pessoa, que hoje é meu gestor imediato, perguntando se eu conhecia alguém que queria trabalhar na comunicação da empresa. Falei então, do meu interesse.

Resumindo, assumi o cargo como analista de comunicação. Fui potencializando o endomarketing da empresa, atuando no setor chamado Pessoas e Cultura, onde o nosso grande objetivo é valorizar o profissional, para que ele realmente tenha orgulho em pertencer a organização.

O primeiro passo nesta jornada foi conhecer meus colegas e as suas atividades deles dentro da empresa. Observando isso, meu gestor começou a me direcionar para projetos de humanização. Assim, passei a atuar na frente social e como coordenadora do projeto social Mini Truck.

Acervo pessoal

Eu não tinha noção da importância do transporte para a economia. Da mesma forma, quando eu recebi a coordenação do Mini Truck, não fazia ideia de como é que um caminhão tão pequenininho poderia transformar a vida de tantas pessoas.

Hoje vejo o quanto as crianças atendidas pelo projeto têm um fascínio pelo caminhão, pela estrada, pelo transporte. A gente faz essa provocação, e eles respondem de uma forma extremamente positiva.

Também sou o ponto focal da empresa nos projetos Childhood Brasil e movimento Vez & Voz. Junto com minha colega Tamara, que é a Psicóloga Organizacional, e grande parceira na hora de projetar ideias corajosas, estamos montando um comitê de diversidade e outras propostas humanizadas aqui dentro.

Unir o social com o comunicar é muito prazeroso. Eu fico muito feliz, porque a Cavalinho tem me aberto muitas oportunidades. Estou realizada por ser a porta-voz da empresa. Imagina? Somos uma referência no transporte e em todos os processos feitos “dentro de casa”.

A empresa tem 41 anos, nos quais se construiu uma bela história, que hoje eu tenho a oportunidade e o privilégio de contar.

A história da Cavalinho começou ainda na década de 60 com o senhor Ivanor Ossani, que é o pai dos nossos diretores. Ele comprou o primeiro caminhão para transportar insumos primários, como lã, carne e banha. Viajava pelo Brasil todo.

Escolheu morar em Vacaria/RS, porque aqui tem duas rodovias que cortam o município. Na década de 70, adquiriu outro caminhão, depois mais um e galpãozinho, que já ficava onde hoje é a matriz.

Quem fazia toda a parte de contas a pagar e a receber, e os acertos com os motoristas, era a dona Lourdes, que é a esposa do senhor Ivanor. Ela foi uma mulher muito à frente da sua época. Administrava a empresa e organizava os pagamentos, tudo manualmente, o seu trabalho foi fundamental para o negócio crescer. Uma inspiração para mim e para tantas mulheres.


Acervo pessoal
Sei que vai parecer clichê, mas vou dizer mesmo assim, mulheres fortes, geram outras mulheres fortes. Minha mãe também é uma pessoa empoderada. Outra figura feminina que me inspira todos os dias. Por seu olhar, por sua sensibilidade, e por sempre me enxergar além do que o externo que me constrangia e ousava me enfraquecer. Ela sempre me ergueu, me estruturou.

Antes do transporte, quase tudo que eu fiz na vida foi sendo uma mulher, em lugares onde a mulher não estava. Eu exemplifico: mulher no rádio, hoje é até comum, mas antes não era, ainda mais com apenas 16 anos de idade. Depois eu comecei a trabalhar com bandas de músicas, onde quase não existiam mulheres tocando, cantando e produzindo. E ainda por um tempo, fui repórter de futebol de beira de campo e de festivais nativistas gaúchos, cenário extremamente masculino também, o qual atuei de cabeça erguida e coração feliz.

Eu aprendi a me blindar para os comentários, a crescer mesmo dentro das adversidades e a reverter muitas situações. Fiz da voz minha ferramenta, das palavras minhas maiores aliadas.

Como eu comentei, eu comando os processos de comunicação, inclusive com profissionais motoristas, e nesse sentido, nunca passei uma situação em que alguém faltasse com respeito, muito pelo contrário, existe uma energia de respeito e admiração mútua.

Essa coisa de não deixar a mulher falar com o motorista, porque pode ser perigoso, é um estereótipo tanto para o motorista, quanto para a mulher. Ambos estão sendo julgados. Impera o respeito, porque se entende o propósito do que está sendo feito.

Minha coragem sempre me levou a resistir. Ao longo da vida, tive relacionamentos frustrados, tóxicos, passei por uma separação, não tive filhos no molde que a sociedade espera. Fora a cobrança enorme, por uma padronização estética que me oprimia. A forma como eu reagi a isso, determinou a minha permanência e o meu crescimento nos lugares onde eu estive. E honestamente, não me arrependo de nada, e jamais deixei de agradecer e abençoar os processos.

Quando eu estou em um palco e com o microfone na mão, as pessoas até me falam: “Gabe, você domina.” A minha grande ferramenta para tudo na vida, tem sido a minha voz.

Usei a minha voz, como potente ferramenta para ser ouvida, e também para elevar outras vozes que não eram ouvidas. Sempre me posicionei quando me sentia acuada, daí que eu me fortaleci. E todo mundo tem a sua habilidade.

Mais importante do que ser uma mulher que se posicione, é ajudar as outras a se posicionarem também. Nós precisamos cada vez mais tornar os processos coletivos.

Uma voz pode ser mais projetada. Se sozinha, ela ainda não tem força necessária, mas 5, 10, 20 vozes ecoam mais alto, para que em algum momento sejam ouvidas.


Por Gabriele Moraes, analista de comunicação na Transportes Cavalinho.

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