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Roberta Tomaz: “É uma com a outra, e não, uma contra a outra”

O meu primeiro e único emprego foi na Transportes Cavalinho. Antes, ainda menina, fazia algumas coisas, bem informais, para ganhar um dinheirinho.

Já muito nova surgiu esse desejo em mim: de trabalhar para ajudar a compor a renda de casa.

Tive a oportunidade de iniciar como Jovem Aprendiz na transportadora. Comecei no arquivamento da documentação. Iniciei daquele jeito, que geralmente a gente começa, toda envergonhada, tímida, sem saber nada do mundo corporativo.

Acervo pessoal

Este Programa Jovem Aprendiz tem duração de dois anos. Pouco antes do meu contrato chegar ao fim, meu coordenador, na época, conseguiu me encaixar em uma vaga.

A empresa estava crescendo, e passando pelo processo de migração para a emissão dos documentos fiscais eletrônicos. Então, fui para o setor de alimentação de dados.

Fiquei ali durante um tempo. Depois este mesmo setor, passou por uma nova reestruturação, e aí, o supervisor da área perguntou se alguém conseguia suprir uma demanda extra, que incluía chegar no serviço às 6h da manhã. Quem está disposto? Ele perguntou.

O convite foi feito para toda equipe. Na proposta havia até um reajuste salarial. Só que grande parte do pessoal achou que aquilo era uma loucura. Eu nem pensei duas vezes. Aceitei de pronto.

Dali em diante, assumi as tarefas da emissão de Conhecimento e Manifesto de Transporte, e por ali fiquei anos. Até que veio outra oportunidade, dessa vez, para ocupar o cargo de faturista. E novamente, eu aproveitei.

Acervo pessoal - Dia da promoção

Eles tiveram toda a paciência de me ensinar e me instruir. E eu fui aprendendo. Aí quando o sistema precisou ser atualizado, meu coordenador me indicou para ser a pessoa que representava o faturamento neste processo.

Me dediquei por um ano a este projeto. Fechando esse ciclo, fiquei responsável por treinar toda a área do faturamento no novo sistema. Com esta experiência, logo em seguida, assumi a supervisão dos faturistas.

O tempo passou, e o meu líder foi atuando em outras tarefas. Eu sempre dando suporte a ele. Até que um dia, ele e a diretora da empresa me chamaram e me ofereceram o cargo de coordenadora.

Quando eles fizeram isso, me disseram que era algo natural, e que na verdade, não faria nada do que já não tivesse acostumada. Mesmo assim, fiquei bem surpresa e muito feliz com a coordenação.

Depois de um ano neste novo cargo, aqui estou eu. Consigo prestar um auxílio para a equipe, tirar dúvidas e ser uma pessoa de referência. Mas também há sempre uma troca em tudo isso. Todo dia aprendo algo novo.

Em pensar que quando criança eu queria ser empregada doméstica, que é a profissão da minha mãe, porque ela é a mulher que tenho como inspiração. Desde quando me entendo por gente, até hoje.

Acervo pessoal - Com minha mãe na festa de 40 anos da empresa

Durante o ensino médio fui me apaixonando por números, e passei a pensar em ser professora de matemática. Mas quando comecei a trabalhar abriu-se o horizonte. Me formei mesmo em contabilidade.

O desafio é sempre acompanhar as mudanças e ir se adaptando. Hoje eu lidero 38 pessoas, que é um número expressivo. E é preciso lidar com cada um de um jeito. Tratar a individualidade de forma coletiva.

Eu ainda sou bem nova, não acho que eu ainda esteja no topo de tudo o que já sonhei. Mas até aqui, meu caminho foi bem sólido, e todo o trecho percorrido fez de mim a pessoa que eu sou hoje. Estar onde eu estou deu um norte diferente para minha vida.

Quando vou contratar um jovem aprendiz eu tenho um olhar diferente, porque eu penso que este momento é decisivo para uma vida. Você entra com uma mochila vazia, e começa a construir uma bagagem, adquirindo suas experiências e moldando sua vida: faculdade, profissão, amizades...

Enquanto estiver na empresa, quero colaborar e fazer a diferença. Não tem um cargo específico que eu desejo. Eu quero é contribuir.

Sempre me vi como uma menina. Mas nem por isso, senti alguma vez que não estivesse sendo ouvida dentro da organização.

Acho que por ter duas mulheres diretoras na empresa, como tem na Cavalinho, isso inspira muito respeito. Elas são tidas como referência para os demais colaboradores.

Acervo pessoal - Parte da minha equipe
Aqui importa sua entrega, e não o seu gênero.

Uma das coisas que as mulheres costumam ter é o poder de agregar. Se as coisas ainda não são do jeito que deveriam ser, em se tratando de equidade, em conjunto, acredito que podemos promover mudanças.

Apesar do transporte ainda ser um mundo muito masculino eu percebo que ele está aberto para a gente participar mais. Eu mesma tenho mais mulheres do que homens na minha equipe.

E não é preciso travar uma competição, que fique claro. Cada um com suas diferenças consegue ter o seu espaço.

As referências que eu tenho são assim, mulheres que aos poucos conquistaram seus lugares, e nunca precisaram gritar ou perder o controle para chegar onde chegaram.

Minha mãe — o nome dela é Ivone, independentemente da situação, sempre fazia o que fosse preciso, com disposição, sem nunca se entregar, o que para mim é o sinônimo de força.

Não é o impor que vai mostrar a força da mulher. Nós temos que nos ajudar, e ter em mente que é uma com a outra, e não, uma contra a outra.

União e persistência é a combinação de dois fatores que nos fará aproveitar os espaços. Acho que é assim que dá certo.


Roberta Tomaz – Coordenadora de faturamento na Transportes Cavalinho


Siga a Roberta no Instagram: @roberta.tomaz

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